quinta-feira, 28 de novembro de 2013

A Ciranda do Amor

Quadrilha

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
Carlos Drummond de Andrade

Acho que esse poema é um dos que eu mais lembro desde a infância, só não sabia que ele era tão verdadeiro!

Quantas vezes estamos nesta situação, gostando de alguém, que gosta de outro, ou que simplesmente não nutre o mesmo sentimento por nós? Sinceramente não sei contar quantas vezes isso me aconteceu...

E todas às vezes me recordo desse poema, e é inevitável deixar de rir e acreditar que a arte imita a vida, mesmo que às vezes não aceitamos!

A paixão pode acontecer a qualquer momento, e na maioria das vezes não há uma explicação lógica para aquilo, apaixona-se e pronto!

Um amigo me perguntou há algum tempo: Mas por que despertou isso em você por essa pessoa? Tentei explicar, mas nem para mim estava claro, só sabia sentir, sem explicações... Até sabemos identificar o que nos encantou, e pode ter sido só alguns detalhes, mas só aqueles detalhes já enchem nosso coração de vontade e nossos pensamentos de fantasias... assim é paixão! Não escolhe dia, nem hora, e muito menos a pessoa!

Mesmo sem muitas explicações ele perguntou: Mas você conhece a pessoa o suficiente para afirmar o que está sentindo?. Claro que não! Mas o que se conhece foi o suficiente para sentir, a partir disso só conhecendo na intimidade para saber... para isso é a paixão, despertar a curiosidade, aguçar a vontade, e querer descobrir o que o seu sexto sentido está querendo te mostrar.

Porém, nem sempre a pessoa está disponível, e nem digo dela estar em um relacionamento, mas algumas vezes ela não está no momento disponível para se envolver emocionalmente, e aí você se encontra na ciranda do amor, ou no poema Quadrilha do Drummond, e os pensamentos voam longe para tentar entender, mas assim como a paixão não tem explicação, e a vida nem sempre é justa, você também não saberá o motivo da não reciprocidade.

A vida é assim, tantos desencontros! Mas com a certeza que um dia haverá um encontro, afinal se até a Lili do Drummond encontrou o J. Pinto Fernandes, por que não encontraremos o nosso amor?

E você, já se sentiu fazendo parte do poema?

3 comentários:

  1. Sim... claro que sim... e as vezes nem é o tempo da outra pessoa mas enfim...A paixão acontece e não sabemos explicar porque... ou sabemos... Por uma palavra... um gesto... um olhar... Por alguma razão ela acontece e eu acredito que estava escrito... sempre

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  2. Respostas
    1. Muito obrigada! Fico muito feliz de receber esse retorno, sem dúvida é um incentivo para que eu continue! ;-)

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