A dúvida é o preço da pureza, e é inútil ter certeza...
Não, eu não quero ter certeza... Prefiro as incertezas
capazes de transformar um momento em uma agradável surpresa. Na pior das
hipóteses me chatearei com algo que não esperava, mas me responda, quem nunca
sofreu uma pequena desilusão nessa vida? E por mais que eu não queira ter
certeza, essa é uma das poucas certezas que eu tenho na vida, independente de
quem seja jamais passará ileso por essa vida, sem uma cicatriz do passado ou
arranhão que sempre faz lembrar das lições da vida em que teve que aprender de
alguma forma a lidar com suas frustrações.
Não conheço ninguém que tenha certeza absoluta de que é
possível ter a felicidade plena, mas conheço muitos que não se vangloriavam de
atos certeiros, nem das palavras certas, tampouco dos momentos corretos, e
ainda assim traziam consigo um sorriso largo que mesmo escondendo aquela
tristeza que lhe acompanhava a alma, podia se dar o prazer de brindar às pequenas
felicidades que a vida lhe proporcionava.
Minhas maiores alegrias e descobertas aconteceram quando eu
menos tinha certeza do que eu queria, e ainda assim, naqueles momentos que acabei
traçando caminhos desajeitados, rotas esburacadas, e sem a possibilidade de enxergar
aonde iria chegar, foram nestas caminhadas que coisas surpreendentes
aconteceram na minha vida: as melhores companhias, os mais belos nascer do sol,
os amores mais arrebatadores e minhas melhores histórias.
Não quero ter certeza nenhuma se meu amor de hoje será o meu
marido de amanhã, mas nem por isso deixarei de casar, tentar e experimentar. Não
tenho certeza se pinto de cores novas as paredes da minha sala, ou se prefiro
ver novas paredes em qualquer país em que eu desembarcar. Não tenho certeza nenhuma
se serei feliz... e não quero ter... prefiro o sabor da descoberta, sendo ela
doce ou amarga, e assim me sentir viva, do que me programar a ter uma vida
certinha e sem emoção...

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