Ela seguia sua vida em sua cidade, não havia pretensão de estar em outro lugar, tampouco em outras terras ou países. Vivia sua vida confortável em meio aos amigos de longas datas e familiares tão queridos. Há muito já havia passado o interesse por outras culturas e línguas, havia descoberto que seu bem mais valioso estava disponível tão perto de si, e se sentia feliz quando passeava por sua cidade, e mesmo com tantos problemas ali se sentia acolhida, e a diversidade que encontrava lhe fascinava.
Ele já havia rodado o mundo, morado em diversos países, conhecido culturas ricas e intrigantes, falava outras línguas, e tinha vivenciado os mais diversos climas, ambientes, traços e costumes. Achava engraçado algumas coisas na nova cidade em que estava, observava cada gesto e palavras, pouco entendendo o que se falava.
Era uma tarde fria quando se encontraram. Ela tremia de frio, mas para ele o clima era agradável, afinal sua terra natal até nevava... com 20º o clima estava favorável para uma simples camiseta. Do lado de fora a cidade era cinza, e caia uma garoa que havia durado todo o dia, e mesmo no entardecer ainda não havia cessado, tornando o fim do dia mais melancólico possível. Em um bar da cidade resolveram tomar um drink, sendo a melhor opção aquela hora.
Nas primeiras palavras descobriram que aquele encontro poderia ser o mais desastroso de todos os tempos, afinal, ela não falava a língua dele, muito menos ele compreendia sua fala. As tentativas de comunicação foram no mínimo engraçadas, era perceptível como os outros que estavam no local olhavam intrigados para aquela mistura de línguas, sinais, mímicas e risadas.
Em meio a goles e novos drinks, mesmo sem terem a fluência necessária, se entendiam, se divertiam e se descobriam, como uma mágica! Descobriram que fazer novas amizades é além de qualquer fronteira física, pouco importando de onde vinham... mas sim, somente a fronteira pessoal, conseguiram ser uma boa companhia para o outro, se divertiram com as diferenças e igualdades, riam quando percebiam que falavam da mesma coisa mas com nomes de diferentes, e ainda assim conseguiram saber das suas afinidades.
Para descobrir e conhecer, deve-se estar aberto a essas novas descobertas, é apostar sem medo de perder, e fazer de um encontro que poderia ser um desastre, ser algo que tenha valido a noite, afinal, os dois saíram ganhando, com novas histórias e risadas, e aquela noite tiveram um pouco mais da riqueza mais importante, a riqueza da vida e da experiência.

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