Era manhã de segunda feira, a muito custo decidiu levantar da cama, mas somente após longas tentativas alternadas com o soneca do despertador. Não podia acreditar que a noite havia passado tão rápido, e muito mais rápido ainda havia sido o final de semana, que novamente terminava com aquela sensação de que ainda havia muito o que fazer...
Com passos pesados, ainda tentando convencer seus olhos que se mantivessem abertos, seguiu em direção ao banheiro, naquela situação somente com um banho para conseguir despertar. Embaixo do chuveiro repassava mentalmente todas as atividades que deveria cumprir naquele dia... sim, seria um longo dia!
De volta ao quarto sentou se na cama, que ainda tentava em chamá-la de volta... não teria muito tempo e ainda nem decidira o que vestir, e mesmo com todas as portas do guarda-roupa escancaradas, nada lhe parecia conveniente para aquela segunda, a não ser o pijama que estava ao seu lado.
Como de costume no momento que terminou de se arrumar, chegando a sala, com bolsas e chaves na mão, se deu conta de que já estava atrasada, torceu para que não tivesse transito pelo caminho, e com muito custo atravessou a porta de sua casa e a trancou. A partir dali ela era do mundo quase canibal, e seu próprio mundo de paz estaria a esperando, quando regressasse novamente cansada de mais um dia exaustivo.
Mal havia passado metade do dia, mal havia começado a semana, ainda nem chegara na metade do ano! Em sua mente só ecoava uma pergunta: o que estou fazendo aqui? Olhava pela janela e via o movimento da cidade, como poderia ter tanta pessoa na rua em pleno horário comercial?
E se sentia como um pássaro engaiolado, aprisionado na rotina que criara... rotina essa que a matava a cada dia, que a cada manhã lhe fazia questionar o sentido de tudo, principalmente quando no final do mês percebia que nada havia sobrado para seu divertimento, e como se fosse uma presa, encarcerada na cela da responsabilidade, contava dia a dia quando seria sua liberdade... Teria que esperar, pelo menos algum bom tempo, tempo este que custava muito a passar... e com olhar cansado, o peso nos ombros e nenhuma disposição, recolhia os papéis de sua mesa e começara novamente analisar os documentos, afinal, seu superior aguardava seu relatório.
E dia após dia sua rotina seguia, entediante, exaustiva e sufocante... ela em alguns momentos parecia um fantasma, seu brilho só aparecia quando por alguns momentos se via livre de sua prisão, ou quando se fechava em seu mundo particular acolhida em sua casa, pois ali poderia ficar despida de qualquer obrigação com os outros, seria somente sua...
Alguns psicólogos poderiam diagnostica-la com alguma patologia da moda, mas no fundo todos sabiam que ela só estava assim por não poder voar além dos muros que limitavam sua visão do mundo... E mesmo dia após dia ainda guarda consigo uma pequena chave, para livrar-se dessa prisão, que só poderá ser usada no momento que não precisará mais voltar, e só assim poderá voltar a sorrir... quando o vento acariciar seus cabelos fazendo-a lembrar que a liberdade esteve sempre esteve dentro de si.

identifico!
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