Acordava pelas manhãs sem saber que roupa colocar... apostava sempre no mais simples, preto e branco nunca falhava! Seu guarda roupa não tinha cor...
Não tinha certeza por qual caminho chegar ao trabalho, enfrentar o trânsito ou arriscar um novo caminho, de tanta indecisão ficava parada... sempre chegando atrasada!
Na faculdade havia feito o curso que lhe garantia um emprego fácil, eram muitas opções! Inclinou-se pelo menos complicado e que permitisse muitos caminhos. Sua vida se tornou complicada por fazer aquilo que não gostava, sem saber o que seguir.
Tudo corre calmamente no trabalho, ainda está indecisa dentre as possibilidades: sair, ficar, crescer, se estabilizar... já passaram quase 10 anos sem essa resposta...
Quando seu telefone tocou em uma das diversas vezes, sem muita vontade atendeu seu namorado, sabia que não queria mais falar, mas ainda não havia decidido a terminar... eles marcaram o casamento!
Quando chegava a um restaurante passava longo tempo analisando cada prato, tamanha indecisão optava sempre pelo mesmo, seria menos arriscado a não gostar, mas nunca pensou que jamais saberia qual eram os outros sabores...
Sua vida não tinha muitos roteiros de viagem, no máximo a visita em casa de parentes, nunca decidiu para onde mais gostaria de ir, ou quanto gostaria de gastar, era mais confortável estar em lugar conhecido.
E assim levava a vida, sem vida! Deixava-se levar pelo balanço do mar, pois se confrontar seria muito doloroso... As indecisões eram sua maior companheira, e de tão íntima deixava suas escolhas a sorte dos ventos, pelos caminhos mais fáceis...
Sempre teve vertigem das alturas, preferia seguir o curso dos rios à escalar grandes montanhas. Dessa forma nunca conseguiu contemplar a vida, só sabia de casos de pessoas que haviam chegado lá, mas nunca decidiu arriscar por esse caminho, sua indecisão não permitia.
De tanta indecisão viveu uma vida morna, como aquelas que sempre dizem que temos que viver. Estudar, arrumar um emprego, casar, ter filhos e morrer.
E em seu leito de morte a indecisão lhe visitara novamente, agora decidida a viver, mas já era tarde! Nada mais podia fazer...

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