A vontade não cabia
em nós! Era a primeira vez que chegávamos tão longe, após tantos encontros nos
conhecendo, havia chegado o tão esperado dia...
Nada havia sido
programado, só nossos corpos que careciam sentir a pele do outro, com
tanto tecido entre nós, um pedido desesperado do contato por completo. No
íntimo de cada um, sabíamos que não era mais possível esperar, a vontade
latente se evidenciava a cada beijo.
Ele já me reconhecia
pelo cheiro da pele da minha nuca, que prenunciava o que seria descoberto pelo
restante do corpo, quando descoberto nas horas seguintes, e cada suspiro que
ele dava arrancava ondas de arrepios que indicavam algumas das sensações que
poderíamos ter juntos.
Já em seu
apartamento, em meia luz, tornando o ambiente uma grande brincadeira de mostrar
e esconder os detalhes de cada um pela sombra dos objetos ali disposto, ao
fundo um suave jazz complementava a brincadeira, nossos beijos acompanhavam as
batidas da música, em um compasso ordenado de sentidos, sensações e desejos.
Queria me mostrar seu
apartamento, me levando em um passeio por cada cômodo, entre beijos e sorrisos.
Ao chegarmos em seu quarto, me apresentou cada item de sua coleção de livros.
Mal sabia o quanto se tornava mais belo a cada detalhe descoberto. Sentada em
sua cama, observei cada gesto e palavra anunciada. Calmamente apagou a luz do
quarto, deixando que entrasse somente um feixe de claridade da sala. Do outro
lado da cama, acendeu um abajur, que me iluminara por completo, como um
indicativo de onde ele deveria depositar toda sua atenção naquele instante.
Naquele momento nada
mais importava, tínhamos um ao outro e o tempo precioso de nós dois. Queríamos
aproveitar cada segundo e descoberta.
A luz difusa
evidenciava nossos corpos, podíamos nos olhar por completo, cada detalhe e
(im)perfeições. Aquilo que éramos realmente em nossa totalidade, sem pudores ou
vergonhas. Sabíamos que nenhum de nós éramos exemplos de capa de revista, mas
pouco importava, pois éramos perfeitos juntos, tínhamos sintonia, encaixe e
além de tudo, vontade. Não caberia se esconder à luz apagada, só queríamos nos
sentir por completo, pele com pele, olhos com olhos, boca com boca e o prazer de
se fazer feliz, sem nos esconder...
Jamais apagamos
a luz, e nem nosso desejo.
*
Contos de uma realidade alternativa

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