Chegava a segunda-feira, logo depois de um final de semana atribulado, a única frase que havia trocado com alguém tivera sido no elevador: "Segunda nunca me deixa de bom humor, ainda mais com esse tempo!". Seu ouvinte só soltara um sorriso amarelo, não sentia vontade de fazer nenhum comentário, vai que piorava a situação da pobre moça.
Ao encontrar seus colegas foi elogiada pela produção do dia, estava linda com aquelas roupas, mas se antecipou dizendo suas mazelas, infelizmente aquilo era só o que possuiria em seu guarda roupa, coisas antigas que nada tinham a ver com seu estado de espírito. Talvez fosse melhor ter usado preto, tamanha negatividade.
No almoço o mesmo de sempre, e apesar de reclamar de que era somente aquilo que tinha para o momento, não foi em nenhum restaurante diferente, era mais fácil reclamar.
Seus amigos haviam chamado-a para uma festa na piscina, mas não queria participar, ultimamente estava acima do peso, e sempre reclamava que seus biquínis a deixavam mais gorda, estava com celulite, depilação por fazer, realmente a vida estava difícil.
Nem a mensagem que havia passado para seu pretendente teve retorno, como ficar satisfeita assim? Também pudera, o rapaz desistiu de convidá-la para sair, pois ela sempre reclamava da falta de tempo, e das mil coisas que teria que fazer. Nesse caso era melhor desaparecer, ele poderia ser a próxima vítima das reclamações.
Não entendia como as pessoas tinham uma vida tão perfeita, parecia que nada as incomodava, enquanto ela não se sentia satisfeita com nada.
De fato, tudo parecia muito pesado, ou era muito calor, ou muito frio, isso quando não chovia, mesmo que soubesse ser necessário, afinal em época de seca qualquer gota que cai do céu é muito bem vinda. A segunda era o dia da reclamação, não entendia como alguém poderia gostar daquele dia, voltar a rotina era demasiado chato. O trabalho era motivo de tantas outras reclamações, as pessoas, suas atividades, o quanto lhe consumia, e sua posição jamais a fizera feliz, nunca lhe passou pela cabeça procurar outro emprego.
Reclamava de si própria, seu cabelo, suas roupas, a falta de amizades, de seus familiares que a faziam passar vergonha, e a falta de dinheiro? Reclamação constante, todos sabiam.
E de tanto reclamar se tornou amarga, nada lhe arrancava um sorriso sincero... com sua pouca idade já parecia uma velha ranzinza.
Mal sabia que a felicidade não chega perto daqueles que a maldizem, as amizades são uma conquista e não obrigações, e para se sentir realizada não adiantava reclamar, mas sim agir diferente.
Ela estava destinada a viver isolada em um mundo repleto de pessoas, afinal, as pessoas estavam levando suas vidas, e ninguém tinha tempo para ouvir suas reclamações.
E você, vai continuar reclamando do tempo, da vida, do dia da semana?

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